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Divulgação

"Moscou", o encontro entre Coutinho, o Galpão e Tchecov
Por Leonardo Cruz e Lucas Neves
Filmes novos de importantes cineastas nacionais, obras premiadas em festivais estrangeiros, debates sobre a produção atual de documentários no mundo. É animadora a programação do festival É Tudo Verdade 2009, divulgada hoje em São Paulo.
E o grande destaque na programação nacional trata-se, sem dúvida, do novo longa de Eduardo Coutinho. O mais importante documentarista do país fará no festival a estreia de "Moscou", projeto realizado com o Galpão, tradicional grupo teatral mineiro.
No filme, Coutinho acompanha o dia-a-dia do Galpão durante as leituras e ensaios de "As Três Irmãs", peça de Anton Tchecov que fascina o documentarista. "Adoro o texto; vi pela primeira vez há 50 anos e ficou na minha cabeça. Foi idéia fixa", contou o cineasta à Folha há quase um ano, na época em que filmava o Galpão.
Foi ele quem propôs a encenação de "As Três Irmãs" ao Galpão, que topou a empreitada por conta da celebração de seus 25 anos e convidou o diretor Enrique Diaz para ensaiar a peça. E o que se pode esperar de "Moscou"? Nada de teatro filmado quadradão, como já deve imaginar quem conhece os filmes anteriores de Coutinho, como "Jogo de Cena" (2007) e "Edifício Master" (2002).
Segundo o diretor, o que mais o interessava era o processo da encenação e não o resultado final da montagem. "Como se constrói um espetáculo em condições difíceis e tensas de tempo [três semanas]? Não é didático, para ensinar. Por isso, não vai ser na ordem [1º dia, 2º dia...], pode ter uma fala que se repita três vezes... É para que as pessoas se emocionem vendo o filme, independentemente de gostarem de teatro", declarou Coutinho.
Já na época das gravações, há um ano, o cineasta tinha ideia clara do tamanho do desafio a que se propusera: "O teatro são fragmentos de vida, entende? Não neo-realistas; altamente formais, criados, mas ainda assim fragmentos. E esse processo fragmentário é essencial para mim. Não quero mostrar duas horas e meia de Tchecov no final. Se fosse para fazer isso, seria mais fácil com um texto menor, mais simples e com mais ação. Mas a dificuldade é que vale a pena".
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"Garapa" e mais
Além de "Moscou", outra estreia de peso no festival deste ano será "Garapa", o primeiro filme de José Padilha depois do sucesso de público com "Tropa de Elite". Longa sobre o cotidiano de fome de três famílias do Ceará, "Garapa" foi apresentado em fevereiro no Forum, mostra paralela do Festival de Berlim.
Outros cinco títulos nacionais completam a disputa pelo troféu e pelo prêmio de R$ 100 mil que o festival oferece. “A Chave da Casa”, de Paschoal Samora e Stela Grisotti, acompanha dois palestinos de origem iraquiana em dois tempos, primeiro em um campo de refugiados na Jordânia; depois, na nova vida no Brasil. “Corumbiara”, de Vincent Carelli, é sobre o massacre de índios em Rondônia em 1985, e “Sobreviventes”, trabalho experimental de Miriam Chnaiderman e Reynaldo Pinheiro.
Há ainda duas biografias: “Cildo”, de Gustavo Rosa de Moura, sobre o artista plástico Cildo Meireles, e “Cidadão Boilesen”, de Chaim Litewski, sobre o empresário dinamarquês Henning Albert Boilesen, ligado à repressão à luta armada no Brasil.
Já a mostra internacional do É Tudo Verdade apresenta alguns títulos premiados nos principais festivais de documentários mundo afora. Do principal deles, o de Amsterdã, virão dois longas: "VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado", longa dinamarquês que foi o grande vencedor da edição 2008 da mostra holandesa, e "Esquecido Papai", doc alemão que ganhou o prêmio especial do júri.
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O festival e o impacto da crise
A crise econômica internacional já deixa marcas na edição deste ano do evento. Segundo Amir Labaki, diretor do festival, o evento deste ano terá um orçamento mais enxuto, com redução de 15% em relação ao ano passado. Isso significa um orçamento de cerca de R$ 1,7 milhão, a ser coberto pelos patrocinadores, Petrobras e CPFL à frente, via Lei Rouanet.
Na prática, em sua 14ª edição, o festival mudou sua estrutura e foi dividido em duas partes. As mostras competitivas (de longas e curtas, nacionais e internacionais) acontecem neste primeiro semestre, bem como a conferência anual sobre documentário e a retrospectiva da obra do cineasta convidado, o israelense Avi Mograbi. Para o segundo semestre, provavelmente agosto, ficaram as mostras especiais, com sessões não-competitivas, de filmes que serão definidos até julho.
Com essa divisão, a primeira etapa do É Tudo Verdade acontecerá de 25 de março a 5 de abril em São Paulo e no Rio de Janeiro e de 14 a 26 de abril em Brasília, o que significa uma redução do número de cidades do evento. Em 2008, Recife, Bauru e Caxias do Sul também receberam a mostra. Em São Paulo, o É Tudo Verdade acontecerá em seis salas: Cinesesc, CCBB, Sesc Paulista, Cinemark Eldorado, Cinemateca Brasileira e Cinusp.
O ponto positivo é que o evento manteve todas as sessões gratuitas, algo cada vez mais raro nos grandes festivais de cinema brasileiros. A seguir, a programação completa da competição.
Competição nacional (longas e médias)
"A Chave da Casa", de Paschoal Samora e Stela Grisotti (SP, 68 min)
"Cidadão Boilesen", de Chaim Litewski (RJ, 92 min)
"Cildo", de Gustavo Rosa de Moura (RJ, 84 min)
"Corumbiara", de Vincent Carelli (PE, 117 min)
"Garapa", de José Padilha (RJ, 110 min)
"Moscou", de Eduardo Coutinho (RJ, 80 min)
"Sobreviventes", de Miriam Chnaiderman e Reynaldo Pinheiro (SP, 52 min)
Competição nacional (curtas)
"A Arquitetura do Corpo", de Marcos Pimentel (MG, 21 min)
"A Casa dos Mortos", de Débora Diniz (DF, 24 min)
"Chapa", de Tatiana Toffoli (SP, 18 min)
"Confessionário", de Leonardo Sette (PE, 15 min)
"Leituras Cariocas", de Consuelo Lins (RJ, 13 min)
"Nello’s", de André Ristum (SP, 25 min)
"No Tempo de Miltinho", de André Weller (RJ, 18 min)
"Samba de Quadra", de Gustavo Mello e Luiz Ferraz (SP, 16 min)
"Ser Tão", de Luis Guilherme Guerreiro (RJ, 20 min)
Competição internacional (longas e médias)
"Am I Black Enough For You? - A História de Billy Paul", de Goran Olsson (Suécia, 85 min)
"Esquecido Papai", de Rick Minnich e Matt Sweetwood (Alemanha, 84 min)
"O Esquecimento", de Heddy Honigmann (Holanda-Alemanha, 94 min)
"O Maior Restaurante Chinês do Mundo", de Weijun Chen (China, 80 min)
"Perturbados", de Kazuhiro Soda (Japão, 135 min)
"Problema É Comigo", de Juliette Veber (Nova Zelândia, 82 min)
"René", de Helena Trestikova (República Tcheca, 83 min)
"Retorno a Fortin Olmos", de Patrício Coll e Jorge Goldenberg (Argentina, 104 min)
"Segundas Sangrentas & Tortas de Morango", de Coco Schrijber (Holanda, 87 min)
"Tias Duronas", de Kim Longinotto (Reino Unido, 104 min)
"Tudo É Relativo", de Mikala Krogh (Dinamarca, 75 min)
"VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado", de Anders Hogsbro Ostegaard (Dinamarca, 85 min)
Competição internacional (curtas)
"Areias Vermelhas", de David Procter (Reino Unido, 25 min)
"Arrancando a Alma", de Bárbara Klutinis (EUA, 18 min)
"Bem Longe de Casa", de Marika Vaisanen (Finlândia, 15 min)
"Chirola", de Diego Mondaca (Bolívia, 25 min)
"Coração Negro", de Ada Bligaard Soby (Dinamarca, 23 min)
"Escravos - Um Documentário de Animação", de Hanna Heilborn e David Aronowitsch (Suécia, 15 min)
"O Segredo", de Edgar Feldman (Portugal, 25 min)
"Segunda Vida", de Anna Thommen (Suíça, 19 min)
"Zietek", de Bartosz Blaschke (Polônia, 17 min)
Escrito por Leonardo Cruz e Lucas Neves às 6h58 PM
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